Como já mencionado, os fatores de cálculo para a elaboração do risco e estimativa de quantos créditos seriam gerados eram de total responsabilidade dos proponentes do projeto, cabendo à Verra a revisão de projeto e verificação dos dados gerados.
Os créditos de carbono gerados em um projeto são determinados por três fatores conectados.
1- Área Geográfica a ser utilizada para estimativa do desmatamento
O primeiro deles é a área geográfica usada para estimar o desmatamento, que é baseada em regiões de referência.
Essas regiões de referência são áreas próximas ou com características semelhantes à área do projeto, considerando limites físicos e fatores de desmatamento similares.
- Para a metodologia VM0015: a área do projeto deve estar dentro da região de referência.
- Para a metodologia VM0007: a região de referência só precisa representar os riscos de desmatamento que influenciam o projeto, sem a exigência de proximidade direta.
Esse ajuste permite calcular os créditos de carbono considerando condições reais e específicas do local.
2- Dados de Atividade
O segundo fator são os dados de atividade, que representam as áreas desmatadas. Esses dados podem ser obtidos de duas maneiras:
- Por análises internas, usando classificações supervisionadas de imagens de satélite;
- Ou por meio de dados públicos de alta qualidade, como o PRODES, que monitora o desmatamento no Brasil.
3- Modelagem de Risco de Desmatamento
O terceiro fator é a modelagem de risco de desmatamento. Aqui, os dados levantados nos passos anteriores são usados para calcular o risco de desmatamento dentro da área do projeto. Esse risco, por sua vez, é usado para estimar o potencial de desmatamento, determinando quantos créditos de carbono podem ser gerados.
Essa forma de cálculo trazia um conflito de interesse dentro da cadeia de valor do projeto. Isso porque em diversos casos o proponente do projeto era um dos stakeholders e, claro, possuía interesse em uma maior geração de créditos para os projetos. Logo, o mesmo ator que possui interesse em uma maior geração de créditos é o responsável pela definição da quantidade de créditos gerados, assim abrindo margem para a elaboração de projetos com superestimação do risco de desmatamento do projeto.
Buscando maior confiabilidade nos créditos emitidos, a Verra trouxe para a responsabilidade dela todas as etapas de definição de risco do projeto e da quantidade de Créditos de Carbono gerados. A certificadora fez isso normatizando os fatores de atuação, para que todos os projetos sigam um mesmo modelo para geração de seus créditos.
Os mesmos três fatores continuam presentes, mas todos estes sendo diretamente levantados pela Verra e disponibilizados como acesso aberto para elaboração de diligências prévias e estudos de viabilidades de projetos.
1- Região de Referência
A região de referência antes definida localmente para cada projeto agora é representada por uma jurisdição, no caso do Brasil as jurisdições definidas são os limites estaduais.
2- Dados de Atividade
Os dados de atividade são levantados internamente pela Verra também, mais uma vez pela busca da confiabilidade dos valores utilizados.
3- Modelagem de Risco de Desmatamento
Com a nova metodologia, a VM0048, os mapas de risco fornecidos são elaborados pela própria Verra. Liberados inicialmente em dezembro para os estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará, e, em janeiro, para o Amazonas, estes mapas são um levantamento de dados de desmatamento e fatores que elevam o risco do desmatamento das áreas vegetadas, tais como: distância para estradas, distância para centros urbanos, densidades da população e o fator de maior influência: distância para áreas não vegetadas ou a borda da floresta.
Desta forma, os mapas de risco trazem mais integridade aos créditos gerados pela Verra, normatizando a forma que os créditos são gerados para todos os projetos AUD (de desmatamento não-planejado evitado). Logo, impossibilitando casos como já ocorridos, nos quais projetos em localizações próximas possuíam quantidades de créditos gerados totalmente discrepantes entre si.