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A Nova Era da Verra: o que veremos daqui pra frente?

Recentemente a Verra, maior certificadora de Créditos de Carbono do mundo, anunciou a “Nova Era da Verra”. O início da fase atual é marcado pela criação da nova metodologia VM0048. Com tudo isso, a certificadora está buscando aumentar ainda mais a confiabilidade nos Créditos de Carbono gerados. Leia nosso artigo até o final para entender como isso será feito e como os produtores rurais, especialmente do Bioma Amazônico, serão afetados com essas mudanças!

Histórico

Antes de explicar sobre a nova era e as mudanças que vêm junto com ela, é preciso apresentar acontecimentos anteriores, que desencadearam em toda essa questão.

Em março de 2022, a Verra apresentava as propostas de revisão para as metodologias ligadas ao desmatamento não-planejado evitado, o AUD. Esta revisão iniciou-se em Outubro de 2020, buscando alinhar as metodologias com as melhores práticas, tecnologias de ponta e garantir consistência entre projetos jurisdicionais, aninhados* e independentes. Desta forma, foram revisadas diversas metodologias, principalmente as VM007 e VM0015, que são utilizadas em todo o Brasil para o cálculo dos créditos de carbono gerados por áreas de mata. 

As principais mudanças dessa época estão ligadas a uma alteração de responsabilidade bottom-up, na qual os proponentes do projeto eram responsáveis por todas as etapas da definição da geração de créditos de um projeto, para uma responsabilidade top-down, na qual a principal responsável pela definição de risco ao projeto é elaborado pela Verra. Assim, conseguindo reduzir fatores de conflito de interesse, responsabilidade do projeto e superestimação dos créditos, aumentando a confiabilidade dos créditos gerados.

*a integração de diversos projetos REDD em uma região específica

Figura 1: Maiores mudanças das metodologias anteriores com a proposta da VM0048.

Fonte: Adaptado da apresentação da Verra sobre revisões propostas para as metodologias de desmatamento não planejado evitado.

Como era feito?

Como já mencionado, os fatores de cálculo para a elaboração do risco e estimativa de quantos créditos seriam gerados eram de total responsabilidade dos proponentes do projeto, cabendo à Verra a revisão de projeto e verificação dos dados gerados. 

Os créditos de carbono gerados em um projeto são determinados por três fatores conectados. 

1- Área Geográfica a ser utilizada para estimativa do desmatamento

O primeiro deles é a área geográfica usada para estimar o desmatamento, que é baseada em regiões de referência.

Essas regiões de referência são áreas próximas ou com características semelhantes à área do projeto, considerando limites físicos e fatores de desmatamento similares.

  • Para a metodologia VM0015: a área do projeto deve estar dentro da região de referência.
  • Para a metodologia VM0007: a região de referência só precisa representar os riscos de desmatamento que influenciam o projeto, sem a exigência de proximidade direta.

Esse ajuste permite calcular os créditos de carbono considerando condições reais e específicas do local.

2- Dados de Atividade

O segundo fator são os dados de atividade, que representam as áreas desmatadas. Esses dados podem ser obtidos de duas maneiras:

  • Por análises internas, usando classificações supervisionadas de imagens de satélite;
  • Ou por meio de dados públicos de alta qualidade, como o PRODES, que monitora o desmatamento no Brasil.

3- Modelagem de Risco de Desmatamento

O terceiro fator é a modelagem de risco de desmatamento. Aqui, os dados levantados nos passos anteriores são usados para calcular o risco de desmatamento dentro da área do projeto. Esse risco, por sua vez, é usado para estimar o potencial de desmatamento, determinando quantos créditos de carbono podem ser gerados.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Essa forma de cálculo trazia um conflito de interesse dentro da cadeia de valor do projeto. Isso porque em diversos casos o proponente do projeto era um dos stakeholders e, claro, possuía interesse em uma maior geração de créditos para os projetos. Logo, o mesmo ator que possui interesse em uma maior geração de créditos é o responsável pela definição da quantidade de créditos gerados, assim abrindo margem para a elaboração de projetos com superestimação do risco de desmatamento do projeto.

Como acontece agora?

Buscando maior confiabilidade nos créditos emitidos, a Verra trouxe para a responsabilidade dela todas as etapas de definição de risco do projeto e da quantidade de Créditos de Carbono gerados. A certificadora fez isso normatizando os fatores de atuação, para que todos os projetos sigam um mesmo modelo para geração de seus créditos.

Os mesmos três fatores continuam presentes, mas todos estes sendo diretamente levantados pela Verra e disponibilizados como acesso aberto para elaboração de diligências prévias e estudos de viabilidades de projetos.

1- Região de Referência

A região de referência antes definida localmente para cada projeto agora é representada por uma jurisdição, no caso do Brasil as jurisdições definidas são os limites estaduais.

2- Dados de Atividade

Os dados de atividade são levantados internamente pela Verra também, mais uma vez pela busca da confiabilidade dos valores utilizados.

3- Modelagem de Risco de Desmatamento

Com a nova metodologia, a VM0048, os mapas de risco fornecidos são elaborados pela própria Verra. Liberados inicialmente em dezembro para os estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará, e, em janeiro, para o Amazonas, estes mapas são um levantamento de dados de desmatamento e fatores que elevam o risco do desmatamento das áreas vegetadas, tais como: distância para estradas, distância para centros urbanos, densidades da população e o fator de maior influência: distância para áreas não vegetadas ou a borda da floresta.

Desta forma, os mapas de risco trazem mais integridade aos créditos gerados pela Verra, normatizando a forma que os créditos são gerados para todos os projetos AUD (de desmatamento não-planejado evitado). Logo, impossibilitando casos como já ocorridos, nos quais projetos em localizações próximas possuíam quantidades de créditos gerados totalmente discrepantes entre si.

Como isso influencia os projetos dentro do Brasil?

Sendo o primeiro país a ter os dados de risco preliminares liberados pela Verra, o Brasil é um dos protagonistas quando se fala em projetos de redução de emissões por desmatamento e degradação, o REDD. Em análises realizadas pela Emisfera Agro com os novos dados da Verra, notamos grandes potenciais de geração em áreas diretamente influenciadas pelos fatores de cálculo dos mapas de risco. Ou seja: áreas próximas às bordas da floresta, próximas a estradas ou próximas a aberturas recentes possuem uma viabilidade maior para carbono do que áreas localizadas no interior de florestas ou de difícil acesso.

Essa mudança beneficia diretamente propriedades rurais que possuem áreas de mata entre lavouras ou pastagens, como APPs e Reservas Legais. A proximidade desta, com áreas em processo de abertura aumenta o seu risco de abertura (ou seja, pressão de desmatamento), elevando a possibilidade de geração de Créditos de Carbono e tornando esses projetos ainda mais lucrativos para os produtores rurais. Essa nova era da Verra fortalece a credibilidade dos créditos gerados e potencializa a oportunidade de transformar áreas de risco em fontes de geração de renda sustentável.

Descubra as oportunidades para a sua propriedade!

A Emisfera Agro está realizando análises de viabilidade de áreas de mata dentro da nova metodologia da Verra. Entre em contato com a nossa equipe e comece a gerar Créditos de Carbono na sua propriedade.

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