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Trump saiu (de novo) do Acordo de Paris — e o que isso significa para o mercado de Créditos de Carbono

No dia 20 de janeiro de 2025, logo no primeiro dia do seu segundo mandato, Donald Trump assinou uma ordem executiva retirando novamente os Estados Unidos do Acordo de Paris.

A notícia dominou as manchetes do mundo todo — e, junto com ela, vieram as dúvidas: “Isso vai acabar com o mercado de carbono?” “E os créditos florestais, vão perder valor?”

A resposta é simples: não.
E, neste artigo, vamos te explicar o porquê.

O que é o Acordo de Paris?

O Acordo de Paris foi criado em 2015 dentro da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Ele define que os países devem trabalhar para limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C, idealmente em 1,5°C, e cada um apresenta suas metas de redução de emissões (as famosas NDCs – Contribuições Nacionalmente Determinadas).

Os Estados Unidos entraram no acordo em 2016, saíram em 2020 durante o primeiro mandato de Trump, voltaram com Joe Biden em 2021, e, em 20 de Janeiro de 2025, anunciaram que estão saindo novamente.

Mas é importante entender: essa saída não é imediata.

Pelo próprio texto do Acordo de Paris, a retirada só passa a valer um ano depois da notificação oficial à ONU.
Ou seja: os EUA ainda seguem formalmente no Acordo até Janeiro de 2026.

O que está por trás dessa decisão?

A decisão de Trump não é ideológica, é econômica e geopolítica.
Os Estados Unidos têm uma das maiores economias do mundo baseada em petróleo, gás e carvão.
Sua infraestrutura energética, empregos e receitas estaduais estão profundamente ligados à indústria fóssil.

Ao sair do Acordo de Paris, o governo americano está basicamente dizendo:

“Não queremos regras internacionais que limitem nossa produção de energia fóssil ou obriguem os EUA a financiar programas climáticos em outros países.”

É uma estratégia de proteção econômica e de manutenção do poder global, já que quem controla o petróleo e o gás ainda controla grande parte da economia mundial.

Mas, enquanto o governo federal pisa no freio, o resto dos Estados Unidos não para.

Os EUA são diferentes do Brasil

Ao contrário do Brasil, em que o Governo Federal determina algo e os estados cumprem, nos EUA é diferente. Lá, cada estado tem sua autonomia para tomada de decisões, e foi isso que aconteceu com a questão da saída do Acordo de Paris, veja:

Durante a primeira saída do Acordo (entre 2017 e 2020), mais de 25 estados americanos e centenas de cidades e empresas assinaram o compromisso “We Are Still In” (“nós continuamos dentro”), mantendo metas de descarbonização e neutralidade de carbono.

E agora, em 2025, está acontecendo o mesmo.
Governadores, prefeitos e grandes empresas — como Microsoft, Amazon, Coca-Cola e Delta Airlines — continuam seguindo suas metas de redução de emissões.
Por quê?
Porque quem cobra isso não é a Casa Branca, e sim:

  • Fundos de investimento internacionais;
  • Bancos e credores que condicionam juros a metas ESG;
  • Clientes e consumidores que exigem produtos de baixo carbono.

O impacto no mercado de Créditos de Carbono

Aqui está o ponto que mais interessa:
A saída dos EUA do Acordo de Paris não afeta o mercado voluntário de carbono, que é onde a Emisfera Agro e seus parceiros atuam.

Por quê?
Porque o mercado voluntário não depende de leis ou regulações governamentais.
Ele é movido por empresas privadas que assumiram compromissos públicos de neutralidade de carbono e precisam comprovar que estão cumprindo essas metas.

Essas empresas:

  • Continuam comprando Créditos de Carbono para compensar emissões que ainda não conseguem reduzir;
  • Mantêm relatórios de carbono auditados anualmente;
  • Têm pressão constante de investidores e clientes por resultados climáticos reais.

Em outras palavras:
Mesmo que o governo americano “saia” de Paris, as empresas americanas continuam comprando Créditos de Carbono de alta qualidade — inclusive os créditos florestais brasileiros.

O que muda (e o que não muda)

  • Não muda: a demanda global por Créditos de Carbono florestais de alta qualidade.
  • Muda: o protagonismo do Brasil e de países com matriz limpa e floresta preservada.

Enquanto os EUA reforçam sua dependência de combustíveis fósseis, o Brasil ganha relevância como fornecedor de soluções climáticas: seja em bioenergia, agricultura de baixo carbono ou projetos REDD+.

Afinal, nossa matriz elétrica é majoritariamente renovável, e o país tem o maior bioma tropical do planeta, com potencial para gerar créditos legítimos, auditados e de alto valor no mercado internacional.

Conclusão: barulho político, impacto zero

A decisão de Trump é política e energética, não climática.
Ela não encerra o Acordo de Paris, não derruba o mercado global de carbono e não muda o interesse das grandes empresas por créditos florestais certificados.

Se você é produtor rural no Bioma Amazônico, agora é o momento de aproveitar o protagonismo do Brasil nesse novo cenário global.

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